Este ano fiz um carnaval diferente. Ao invés de pular atrás do trio, dançar em salões lotados ou desfilar na avenida trajando luxuosas fantasias, fiz uma viagem a Natal, no Rio Grande do Norte. Como não poderia ser diferente, a viagem foi maravilhosa. Mas neste espaço não quero falar da viagem, mas sim do Nordeste, este pedaço de paraíso que fica num Brasil a parte.Natal é uma das capitais mais desenvolvidas do Nordeste. Avenidas largas, edifícios gigantes, shoppings centers, hospitais, clínicas médicas, universidades bem conceituadas e um número super expressivo de estrangeiros que transformaram a cidade em lar.
Mas em volta de todo esse desenvolvimento, típico de capitais, fica fácil perceber o jeito nordestino de ser e de viver. Não me refiro só ao sotaque e às vestimentas, mas sim a uma cultura de viver com calma, com alegria, com simpatia, "sem pressa". O carnaval por lá não tem grandes programações. Mas cada casinha tem pelo menos uma fita colorida pendurada no teto que denuncia a alegria pela data festiva. A maioria das pessoas não usa calça comprida, salto alto e maquiagem nos olhos. Mas as sandálias baixas de couro, as saias de tecidos leves e as blusinhas de alcinha dão o tom da moda. Nos melhores restaurantes pouco se ouve o sotaque nordestino. Eles foram invadidos por cidadãos do mundo todo, e o borburim mistura idiomas e sotaques de tudo quanto é lugar. As placas de venda de imóveis são escritas em Inglês: "For sale", anunciam em letras garrafais. Eles vão direto ao ponto para atingir o público-alvo. Não são nada bobos esses Nordestinos.
Nas praias, pessoas caminham com placas oferecendo ajuda aos "gringos" que não estão conseguindo de comunicar. É uma espécie de tradução nordestiana. Que mordomia, héin? Nas dunas, lugar muito frequentado pelos turistas, os jegs tem nome e adereços. Você pode tirar uma foto e depois dar um troquinho para "ajudar a família". Em inglês, espanhol ou português. Nas dunas também é possível encontrar fotógrafos de primeiro escalão, que possivelmente nunca tiveram uma câmera fotográfica na vida. Mas eles dão um jeito de fazer as melhores fotos, garantir as melhores recordações e deixar o turista feliz. Isso, é claro, também seguido por aquele troquinho para a família...
Visitar o Nordeste e não se apaixonar pelas suas belezas e por seu povo hospitaleiro é missão quase impossível. Mesmo que durante o passeio você esteja morrendo de sede e passe pela seguinte situação:
- Moço, quanto custa o coco?
- 1,50
- Então me vê um?
- Tem mais coco não...

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