segunda-feira, 2 de março de 2009

A vida de trás pra frente...

"A coisa mais injusta sobre a vida é a maneira como ela termina. Eu acho que o verdadeiro ciclo da vida está todo de trás pra frente. Nós deveríamos morrer primeiro, nos livrar logo disso. Daí viver num asilo, até ser chutado pra fora de lá por estar muito novo. Ganhar um relógio de ouro e ir trabalhar. Então você trabalha 40 anos até ficar novo o bastante pra poder aproveitar sua aposentadoria. Aí você curte tudo, bebe bastante álcool, faz festas e se prepara para a faculdade. Você vai para colégio, tem várias namoradas, vira criança, não tem nenhuma responsabilidade, se torna um bebezinho de colo, volta pro útero da mãe, passa seus últimos nove meses de vida flutuando. E termina tudo com um ótimo orgasmo! Não seria perfeito?"

O texto, escrito pelo inesquecível Charles Chaplin, muito tem a ver com o filme que assisti neste final de semana no cinema. O Curioso caso de Benjamin Button (na foto acima acompanhe as mudanças que ocorrem com o personagem principal), vencedor de três Oscars e estrelado por Brad Pitt, é, acima de tudo, uma grande lição de vida. Benjamin nasce bebê, porém velho. A criança mais feia que o cinema já viu. Acontece que o passar dos anos vai o tornando cada vez mais jovem e bonito, ao contrário de todas as pessoas que ele ama - que seguem o curso normal da vida.
Benjamin perde a mãe adotiva, o pai verdadeiro, os amigos, os parceiros. Inicia a vida sexual quando tem cara e corpo de velho. Mas dá um laço na prostituta pois, na verdade, ele é apenas um jovem com pouco mais de 17 anos, no auge de sua puberdade.
A história parece engraçada (e até dá vontade de viver como ele) até que Benjamin engravida sua companheira. O drama começa a tomar conta da história porque o personagem principal do filme sabe que a sua amada não teria condições de cuidar de dois bebês. E um bebê não poderia ser pai de outro...

A trama emocionante faz pensar sobre o verdadeiro sentido da cronologia da vida. Benjamin teve direito de viver como Charles Chaplin escreveu. Muito provavelmente o filme tenha tido certa inspiração neste texto. Acontece que Benjamin viveu isolado nesta cronologia correta e justa da vida. Uma pena. Muito provavelmente ele teria sido muito feliz se todos que ele ama tivessem seguido este mesmo rumo de vida. Ainda bem que, pelo menos, o diretor foi piedoso ao dar ao pobre e sofrido Benjamin o rosto de Brad Pitt. Se não seria muita desgraça numa história só...

Um comentário:

  1. É o que eu disse no meu blog: "Nao importa a cronologia da vida, a gente sempre vai começar de fraldas e terminar com elas". Saudades loirão!

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