
Depois de dois anos de protestos, manifestações, lutas, mortes e feridos, foi aprovado ontem, com cerca de 60% dos votos (o resultado oficial só sai em 10 dias) o novo texto da Constituição Boliviana. Mais um caso em que a "minoria" vence a "maioria".
O presidente daquele país, o índigena Evo Morales, propôs a reforma do texto aprovado em 1826 (vamos combinar que já estava na hora, né?), e enfrentou uma oposição que representa a minoria rica do país, que não aceita as propostas do governo "socialista".
O texto é polêmico. Entre outras, ele distitui a religão católica como religião oficial do país, toma de volta a saída para o mar do Oceano Pacífico, perdida na Guerra do Pacífico (1879/1884), dá uma autonomia gigante e indiscutível (até mesmo pela justiça comum) ao povo indígena (80 dos 411 artigos tratam dessa questão) e, especialmente, prevê a divisão do país em quatro poderes: os departamentos (que representam os nossos Estados), o regional, o municipal e o indígena, fazendo assim com que cada departamento possa eleger seus líderes através do voto direto, e dar destino a suas verbas.
Enquanto o novo texto não entra em vigor, os prefeitos (governadores) de cada departamento são indicados pelo governo central. E os departamentos ricos lutam há anos por mais autonomia e pela eleição direta de seus líderes. Mas, então, porque ser tão contra essa iniciativa de dividir o país em quatro poderes? O fato é que os ricos temem pela divisão de poder, pois com quatro poderes os prefeitos perderiam muito seu prestígio e valor. Então, nada feito!!!
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Interesses a parte, a política de Morales é polêmica, corajosa e perigosa. Ele defende claramente os interesses de sua classe, e passa por cima do que for para aprovar seus projetos. Prova disso é que o novo texto foi votado com menos de 2/3 d da Assembléia Constituinte, o que é ilegal naquele país. Mas ele deu um jeito de reescrever a lei e aprovar o texto com 2/3 dos participantes. É muito poder para uma pessoa só! Assim não tem como dar certo!
O lamentável é que o resultado das urnas não acaba com a guerra civil que vive o país. A oposição, que neste caso é minoria, já se pronunciou dizendo que não aceita o resultado do referendo. E, segundo os especialistas, vem muito mais protesto por aí.
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Pelo sim ou pelo não, vale aplaudir a iniciativa do governo boliviano de reconhecer a pluralidade cultural do Estado, respeitando as misturas e a diversidade de seus habitantes. Quanto aos ítens não tão dignos de aplausos assim, fica a torcida para que oposição e governo encontrem um "caminho comum", para tirar a Bolívia dessa situação lamentável criada por ninguém mais, ninguém menos, do que o ser-humano!

Oi querida! Passa lá no meu blog (http://dsoster.blogspot.com/) que deixei uma tarefa pra você. Grande Bejo.
ResponderExcluirJúlia Querida seu blog está muito massa. Tive a ousadia de adicioná-lo em minha lista, em meu humilde blog... Quero retomar a atividade... depois da adaptação à nova cidade eu quero voltar a "meter a colher"... Um abraço, tudo de bom!
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